VERA LÚCIA (*)
Da Redação
O jornalista Paulo Caminha lança, no dia 31 de dezembro, a sua mais recente obra literária intitulada “Ah, se o tempo voltasse”, às 20 horas, na Escola de Comunicações e Artes-(ECA/USP), localizada na Cidade Universitária, em São Paulo.
Trata-se de uma coletânea de crônicas inéditas abordando temas relativos ao amor. O livro tem apresentação do mestre do jornalismo no Estado de São Paulo, o Carlos Acuio, e o prefácio de Arlindo Nóbrega, outro mestre do nosso jornalismo. Muito do correto, Caminha, e sucesso então.
21/06/2012
13/06/2012
O dilema: investir em presídios ou escolas?
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista
As pequenas cidades no Estado da Bahia vivem uma autêntica “guerra”, travada entre a sociedade indefesa e uma bandidagem a cada dia mais violenta e ousada. Escondidas no meio das multidões, ladrões, assaltantes e assassinos subjugam a coletividade composta por pessoas de bem, honestas e trabalhadoras, e muitas delas vivendo o drama do desemprego ou de atividades informais. Imaginemos uma guerra convencional, entre dois ou mais países, nessas continuadas e intermináveis batalhas entre israelenses e palestinos. Como se pode concluir que uma das partes sairá vencedora? O que é vencer uma guerra? É herdar uma quantidade enorme de feridos, de prisioneiros, que acabarão por consumir muito dinheiro do suposto “vencedor”.
Talvez, ao fazer esta conta, tiranos preferem matar aos vencidos, resolvendo pelo caminho da cruel da matança injustificada e indiscriminada, a questão de reduzir gastos com os altos custos falsa “vitória”. Pois a guerra urbana igualmente coloca o administrador público, e com ênfase, as autoridades judiciárias e policiais no mesmo dilema: não se pode eliminar uma pessoa porque ela descumpriu a lei, nem mesmo a pena de morte poderia ser adotada como “remédio” coletivo, porque o efeito drástico de sua aplicação irreparável.
Longe de se colocar entre o “carrasco” que deseja matar a todos que transgridem as leis e as convenções sociais da civilização moderna, e o “samaritano ingênuo”, que considera que a criminalidade se combate somente com palestras, palavras e sermões, o dilema efetivo de governantes de hoje e de amanhã é decidir como tornar compatíveis investimentos públicos que consigam atender à infeliz e crescente demanda de unidades prisionais, e outros de melhor resultado, que é na Educação, sem esbarrar na divisão, e na escolha errada, que pode se transformar no atalho que leva à demagogia.
Este será certamente o desafio da presidente da República e dos governadores de forma direta, mas tem tudo a ver com a obrigação de deputados federais e senadores, que podem e devem fornecer o instrumental de que necessitam a Justiça e os aparatos policiais civis e militares para a defesa da sociedade civil desarmada e bem-intencionada, de marginais que desprovidos de regras e contando com a impunidade previsível, sofisticam e aperfeiçoam suas ações criminosas e delituosas.
Os números que a mídia tem trabalhado indicam que cada preso custa em média ao Estado da Bahia, R$ 1,5 mil mensal. Isso inclui a “hotelaria” completa, com alimentação, “moradia” e serviços diretos de carcereiros e na segurança dos presídios. Uma criança no primeiro grau da escola, custa R$ 173,00/mês. Está claro que não é o fato de uma criança cursar uma escola que a fará fugir do mundo do crime, e os criminosos não são necessariamente analfabetos.
Então, somente construir escolas não vai acabar com o crime, mas vai amenizar substancialmente o problema da criança de hoje quando ela atingir a maturidade. Na medida em que ela, a criança, recebe uma boa forma educacional, tem meio caminho andado para a busca de seu lugar na vida adulta, tanto no mercado de trabalho, quanto na legítima disputa pela ascensão social.
Alguns especialistas calculam que o déficit de vagas nas prisões do Estado da Bahia gire em torno de 170 mil condenados que deveriam estar cumprindo penas, brandas ou pesadas, injustas (existem penas que poderiam ter alternativas que não o puro e simples confinamento do condenado) e justas. Para tanto, o atual governador pelos módulos considerados como ideais (de 100 presos/ estabelecimentos) precisará construir 200 unidades prisionais! E contratar gente qualificada para esses serviços, além do dispêndio de custeio e manutenção. Se o governador fizer somente isso, não se elege nunca mais, nem para síndico de prédio ou inspetor de quarteirão.
Distante do “tiroteio” (rigorosamente a melhor palavra para definir um texto tão explosivo), e sem engajamento político-partidário, haveremos de concluir que o Governo do Estado tem investido substancialmente na recuperação e na ampliação de unidades prisionais e penitenciárias, mas o resultado parece insignificante, porque as prisões continuam superlotadas. Como não se pode acabar com a criminalidade a não ser pela mão isenta da Justiça, o que precisamos é dotar o Judiciário de leis e alternativas penais de um lado, e de outro, investir o mais que a capacidade de investimentos do Estado permitir, na Educação, desde a primeira infância, na pré-escola, em creches que acolham notadamente a criança de família carente. Conviver com esse número que sugere que a sociedade é perdedora nessa guerra, enquanto vítima da violência e da criminalidade, pressupõe ações governamentais realistas e no mínimo bem planejadas, para que o discurso não transforme o pavor da população em votos subtraídos do medo que o cidadão e a cidadã comuns tem de viver em nossas cidades.
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(ECA/USP). Jornalista profissional desde 1980, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
Jornalista
As pequenas cidades no Estado da Bahia vivem uma autêntica “guerra”, travada entre a sociedade indefesa e uma bandidagem a cada dia mais violenta e ousada. Escondidas no meio das multidões, ladrões, assaltantes e assassinos subjugam a coletividade composta por pessoas de bem, honestas e trabalhadoras, e muitas delas vivendo o drama do desemprego ou de atividades informais. Imaginemos uma guerra convencional, entre dois ou mais países, nessas continuadas e intermináveis batalhas entre israelenses e palestinos. Como se pode concluir que uma das partes sairá vencedora? O que é vencer uma guerra? É herdar uma quantidade enorme de feridos, de prisioneiros, que acabarão por consumir muito dinheiro do suposto “vencedor”.
Talvez, ao fazer esta conta, tiranos preferem matar aos vencidos, resolvendo pelo caminho da cruel da matança injustificada e indiscriminada, a questão de reduzir gastos com os altos custos falsa “vitória”. Pois a guerra urbana igualmente coloca o administrador público, e com ênfase, as autoridades judiciárias e policiais no mesmo dilema: não se pode eliminar uma pessoa porque ela descumpriu a lei, nem mesmo a pena de morte poderia ser adotada como “remédio” coletivo, porque o efeito drástico de sua aplicação irreparável.
Longe de se colocar entre o “carrasco” que deseja matar a todos que transgridem as leis e as convenções sociais da civilização moderna, e o “samaritano ingênuo”, que considera que a criminalidade se combate somente com palestras, palavras e sermões, o dilema efetivo de governantes de hoje e de amanhã é decidir como tornar compatíveis investimentos públicos que consigam atender à infeliz e crescente demanda de unidades prisionais, e outros de melhor resultado, que é na Educação, sem esbarrar na divisão, e na escolha errada, que pode se transformar no atalho que leva à demagogia.
Este será certamente o desafio da presidente da República e dos governadores de forma direta, mas tem tudo a ver com a obrigação de deputados federais e senadores, que podem e devem fornecer o instrumental de que necessitam a Justiça e os aparatos policiais civis e militares para a defesa da sociedade civil desarmada e bem-intencionada, de marginais que desprovidos de regras e contando com a impunidade previsível, sofisticam e aperfeiçoam suas ações criminosas e delituosas.
Os números que a mídia tem trabalhado indicam que cada preso custa em média ao Estado da Bahia, R$ 1,5 mil mensal. Isso inclui a “hotelaria” completa, com alimentação, “moradia” e serviços diretos de carcereiros e na segurança dos presídios. Uma criança no primeiro grau da escola, custa R$ 173,00/mês. Está claro que não é o fato de uma criança cursar uma escola que a fará fugir do mundo do crime, e os criminosos não são necessariamente analfabetos.
Então, somente construir escolas não vai acabar com o crime, mas vai amenizar substancialmente o problema da criança de hoje quando ela atingir a maturidade. Na medida em que ela, a criança, recebe uma boa forma educacional, tem meio caminho andado para a busca de seu lugar na vida adulta, tanto no mercado de trabalho, quanto na legítima disputa pela ascensão social.
Alguns especialistas calculam que o déficit de vagas nas prisões do Estado da Bahia gire em torno de 170 mil condenados que deveriam estar cumprindo penas, brandas ou pesadas, injustas (existem penas que poderiam ter alternativas que não o puro e simples confinamento do condenado) e justas. Para tanto, o atual governador pelos módulos considerados como ideais (de 100 presos/ estabelecimentos) precisará construir 200 unidades prisionais! E contratar gente qualificada para esses serviços, além do dispêndio de custeio e manutenção. Se o governador fizer somente isso, não se elege nunca mais, nem para síndico de prédio ou inspetor de quarteirão.
Distante do “tiroteio” (rigorosamente a melhor palavra para definir um texto tão explosivo), e sem engajamento político-partidário, haveremos de concluir que o Governo do Estado tem investido substancialmente na recuperação e na ampliação de unidades prisionais e penitenciárias, mas o resultado parece insignificante, porque as prisões continuam superlotadas. Como não se pode acabar com a criminalidade a não ser pela mão isenta da Justiça, o que precisamos é dotar o Judiciário de leis e alternativas penais de um lado, e de outro, investir o mais que a capacidade de investimentos do Estado permitir, na Educação, desde a primeira infância, na pré-escola, em creches que acolham notadamente a criança de família carente. Conviver com esse número que sugere que a sociedade é perdedora nessa guerra, enquanto vítima da violência e da criminalidade, pressupõe ações governamentais realistas e no mínimo bem planejadas, para que o discurso não transforme o pavor da população em votos subtraídos do medo que o cidadão e a cidadã comuns tem de viver em nossas cidades.
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(ECA/USP). Jornalista profissional desde 1980, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
02/06/2012
Dez anos da morte de Tim Lopes
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista
A morte cruel e bárbara, do jornalista Tim Lopes, repórter da Rede Globo, que tentava mostrar como funciona o tráfico de drogas no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, é reveladora de que o narcotráfico desrespeita, desconhece a lei, e banaliza a vida, segundo seus estranhos critérios de quem tem direito à vida, e de quem só tem direito à morte, por tentar interferir em suas atividades criminosas.
É um “código penal” deles, poderosos facínoras que cometeram um crime hediondo contra o jornalista, que teria sido torturado antes de morrer.E traficantes e criminosos que fazem parte desses “exercítos” formados por conta da impunidade que reina no Brasil, prosperam com as imensas e fabulosas somas que o crime fornece a eles, dinheiro sujo que é usado para armamentos, suborno de policiais desonestos, e a “compra do silêncio” que conseguem, mediante agrados para comunidades carentes, ou na base e pura e simples da intimidação, nos locais onde então incrustrados os seus “quartéis-generais”.
No entanto, desta vez, foram longe demais! Não apenas porque mataram um jornalista que pertencia aos quadros da importante Rede Globo de TV: principalmente por haverem desrespeitado a nós, enquanto jornalistas, e a instituição conhecida como Imprensa.Mas grave ainda, é a demonstração de que todos nós cidadãos estamos sujeitos à esta nova forma de violência e de “ditadura” dentro do nosso país: a “ditadura do medo”.E não podemos esquecer que Tim Lopes, um profissional sério e competente e um dos mais festejados nesse pequeno, porém valioso “time” de jornalistas que investigam com audácia e destemor, morreu pela “condenação” à morte por organizações criminosas, sem que a polícia, a Justiça tenham elementos suficientes para a punição exemplar.
Longe de partirmos para a defesa da pena de morte, mais muito perto de nós está a realidade: ou as nossas polícias se preparam devidamente, inclusive com equipamento adequado e pessoal especializado: bem como a Justiça possa passar pela reformulação que conceda aos juízes e magistrados os instrumentos legais para penas mais duras, de duração compatível com o tamanho do delito cometido, e especialmente, que impeçam que criminosos violentos e que causam da nos irreparáveis para suas vítimas e famílias sejam beneficiados por redução de pena, liberdade condicional e outras manifestações, que dão o refresco ao criminoso para que possa imaginar que rapidamente estará de volta às ruas.
Os matadores de Tim Lopes atingiram em cheio ao fundamento de quelquer Democracia, que é o dever da Imprensa de denunciar e informar.A liberdade de expressão é o pressuposto indispensável à qualquer sociedade que se pretenda rotular de livre e democrática, onde a plenitude do Estado de Direito é a mais importante salvaguarda da população.E estamos experimentando na nossa própria carne, vendo escoar pela via da impunidade, o sangue de brasileiros e brasileiras inocentes.É neste clima de indignação que os nossos legisladores, sim, deputados federais e senadores, precisam legislar, dando à Justiça os meios para que volte ao nosso cotidiano a valer o chavão, o bordão simplista, de que o crime não compensa.Sem punição rigorosa, os criminosos vão continuar assaltando, estuprando, violentando e matando, através de suas leis próprias, e desconhecendo o ordenamento da sociedade civil, cujo princípio básico é o de que todos somos iguais perante a lei.Que medo pode tomar conta do criminoso, se ele tem a certeza de que não será punido? Se criminosos, que agem com mais ou menos violência, sabem que podem quando muito passar uma curta temporada na cadeia e depois voltam tranqüilamente às ruas para amedrontar cidadãos incautos e cidadãs indefesas?
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é mestre e doutor em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(ECA/USP). Paulo Caminha é jornalista profissional desde 1980, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV). Atualmente, é professor de Língua Estrangeira e jornalista correspondente.
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
Jornalista
A morte cruel e bárbara, do jornalista Tim Lopes, repórter da Rede Globo, que tentava mostrar como funciona o tráfico de drogas no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, é reveladora de que o narcotráfico desrespeita, desconhece a lei, e banaliza a vida, segundo seus estranhos critérios de quem tem direito à vida, e de quem só tem direito à morte, por tentar interferir em suas atividades criminosas.
É um “código penal” deles, poderosos facínoras que cometeram um crime hediondo contra o jornalista, que teria sido torturado antes de morrer.E traficantes e criminosos que fazem parte desses “exercítos” formados por conta da impunidade que reina no Brasil, prosperam com as imensas e fabulosas somas que o crime fornece a eles, dinheiro sujo que é usado para armamentos, suborno de policiais desonestos, e a “compra do silêncio” que conseguem, mediante agrados para comunidades carentes, ou na base e pura e simples da intimidação, nos locais onde então incrustrados os seus “quartéis-generais”.
No entanto, desta vez, foram longe demais! Não apenas porque mataram um jornalista que pertencia aos quadros da importante Rede Globo de TV: principalmente por haverem desrespeitado a nós, enquanto jornalistas, e a instituição conhecida como Imprensa.Mas grave ainda, é a demonstração de que todos nós cidadãos estamos sujeitos à esta nova forma de violência e de “ditadura” dentro do nosso país: a “ditadura do medo”.E não podemos esquecer que Tim Lopes, um profissional sério e competente e um dos mais festejados nesse pequeno, porém valioso “time” de jornalistas que investigam com audácia e destemor, morreu pela “condenação” à morte por organizações criminosas, sem que a polícia, a Justiça tenham elementos suficientes para a punição exemplar.
Longe de partirmos para a defesa da pena de morte, mais muito perto de nós está a realidade: ou as nossas polícias se preparam devidamente, inclusive com equipamento adequado e pessoal especializado: bem como a Justiça possa passar pela reformulação que conceda aos juízes e magistrados os instrumentos legais para penas mais duras, de duração compatível com o tamanho do delito cometido, e especialmente, que impeçam que criminosos violentos e que causam da nos irreparáveis para suas vítimas e famílias sejam beneficiados por redução de pena, liberdade condicional e outras manifestações, que dão o refresco ao criminoso para que possa imaginar que rapidamente estará de volta às ruas.
Os matadores de Tim Lopes atingiram em cheio ao fundamento de quelquer Democracia, que é o dever da Imprensa de denunciar e informar.A liberdade de expressão é o pressuposto indispensável à qualquer sociedade que se pretenda rotular de livre e democrática, onde a plenitude do Estado de Direito é a mais importante salvaguarda da população.E estamos experimentando na nossa própria carne, vendo escoar pela via da impunidade, o sangue de brasileiros e brasileiras inocentes.É neste clima de indignação que os nossos legisladores, sim, deputados federais e senadores, precisam legislar, dando à Justiça os meios para que volte ao nosso cotidiano a valer o chavão, o bordão simplista, de que o crime não compensa.Sem punição rigorosa, os criminosos vão continuar assaltando, estuprando, violentando e matando, através de suas leis próprias, e desconhecendo o ordenamento da sociedade civil, cujo princípio básico é o de que todos somos iguais perante a lei.Que medo pode tomar conta do criminoso, se ele tem a certeza de que não será punido? Se criminosos, que agem com mais ou menos violência, sabem que podem quando muito passar uma curta temporada na cadeia e depois voltam tranqüilamente às ruas para amedrontar cidadãos incautos e cidadãs indefesas?
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é mestre e doutor em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(ECA/USP). Paulo Caminha é jornalista profissional desde 1980, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV). Atualmente, é professor de Língua Estrangeira e jornalista correspondente.
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
13/05/2012
Mãe,
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista
Hoje eu venho à tua presença com esse ar de culpado para te reverenciar com uma lembrança.Lembrança...Lembrança não está no presente modesto nem naquele requintado.Lembrança sempre esteve nas vezes em que eu vinha buscar aconchego no teu regaço para receber o afago dos teus dedos na minha cabeça descompromissada.Sempre fui teu presente maior e nem me dei conta disso.Foi ontem, mãe, quando reparei nos teus cabelos e compreendi o recado do tempo a dizer com os fios brancos que a idade já é muitas e que uma vida inteira se passou.Quantas vezes, mãe, fui omisso na minha presença e te privei do presente maior:eu! Eu alegre ou triste, a falar das minhas vitórias ou a contar minhas mágoas para chorares comigo ou compreenderes as minhas tristezas.Não tenho jeito para confessar-te a minha culpa porque tens o dom de leres os meus pensamentos.Não caberia pedir-te perdão porque teu perdão é eterno, duradouro, como teu amor e o teu carinho.Ah, mãe, como eu queria ser criança outra vez e outra vez menino vir correndo para os teus braços, para o teu beijo, para o repouso do teu colo! Quantas vezes, noites a fio, velastes pelo o meu sono e pedistes aos céus pela minha saúde! Lembro-me de ti, dedilhando um terço de orações em conversas íntimas com a Virgem Maria, pedindo por mim. Lembro-me da lágrima mais pura e mais sofrida, chorada no primeiro adeus, quando o menino se fez homem e o homem partiu pelo mundo em busca de outros caminhos, de suas próprias aventuras, em direção ao seu destino.Era teu filho, menino travesso de ontem, aprendendo a caminhar sozinho, com ares de dono das verdades e de todas as experiências.Quanta vez, mãe não chamei pelo teu nome sagrado e querido nos sufocos das decepções e nas agonias dos sofrimentos, e era tua imagem o bálsamo maior para as dores que eu sentia.
Vir à tua presença, agora, neste dia, trazendo-te estas flores e esta lembrancinha, é confissão maior da minha omissão. Teu dia, mãe, é todo dia e eu tenho esquecido disso com freqüência.A gente aprende a voar e pensa que pode percorrer todos os espaços de um só fôlego e vai esquecendo de voltar, vez por outra, ao ninho amigo dos primeiros passos, onde sempre ficas a aguardar o nosso retorno sempre bem-vindo.Este versinho eu encontrei entre os papéis velhos do meu pai, teu companheiro de uma vida: “Mãe, o teu nome sublime/Que não tem rima no verso/É a síntese que exprime/ A grandeza do Universo” e com ele eu homenageio às mães de todo mundo: às mães que nunca são lembradas porque seus filhos estão limpando os pára-brisas de carros nos semáforos; às mães da “Praça Camacan”, mundo afora; as mães que choram saudades eternas dos filhos que se foram nessas guerras idiotas; com esse versinho, mãe, eu te rendo a minha homenagem e peço a Deus por ti numa prece acanhada de quem reza pouco.Eu...eu te adoro, mãe!
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é mestre e doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(USP). Jornalista profissional desde 1980, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Atualmente, é repórter correspondente e professor universitário.
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
Jornalista
Hoje eu venho à tua presença com esse ar de culpado para te reverenciar com uma lembrança.Lembrança...Lembrança não está no presente modesto nem naquele requintado.Lembrança sempre esteve nas vezes em que eu vinha buscar aconchego no teu regaço para receber o afago dos teus dedos na minha cabeça descompromissada.Sempre fui teu presente maior e nem me dei conta disso.Foi ontem, mãe, quando reparei nos teus cabelos e compreendi o recado do tempo a dizer com os fios brancos que a idade já é muitas e que uma vida inteira se passou.Quantas vezes, mãe, fui omisso na minha presença e te privei do presente maior:eu! Eu alegre ou triste, a falar das minhas vitórias ou a contar minhas mágoas para chorares comigo ou compreenderes as minhas tristezas.Não tenho jeito para confessar-te a minha culpa porque tens o dom de leres os meus pensamentos.Não caberia pedir-te perdão porque teu perdão é eterno, duradouro, como teu amor e o teu carinho.Ah, mãe, como eu queria ser criança outra vez e outra vez menino vir correndo para os teus braços, para o teu beijo, para o repouso do teu colo! Quantas vezes, noites a fio, velastes pelo o meu sono e pedistes aos céus pela minha saúde! Lembro-me de ti, dedilhando um terço de orações em conversas íntimas com a Virgem Maria, pedindo por mim. Lembro-me da lágrima mais pura e mais sofrida, chorada no primeiro adeus, quando o menino se fez homem e o homem partiu pelo mundo em busca de outros caminhos, de suas próprias aventuras, em direção ao seu destino.Era teu filho, menino travesso de ontem, aprendendo a caminhar sozinho, com ares de dono das verdades e de todas as experiências.Quanta vez, mãe não chamei pelo teu nome sagrado e querido nos sufocos das decepções e nas agonias dos sofrimentos, e era tua imagem o bálsamo maior para as dores que eu sentia.
Vir à tua presença, agora, neste dia, trazendo-te estas flores e esta lembrancinha, é confissão maior da minha omissão. Teu dia, mãe, é todo dia e eu tenho esquecido disso com freqüência.A gente aprende a voar e pensa que pode percorrer todos os espaços de um só fôlego e vai esquecendo de voltar, vez por outra, ao ninho amigo dos primeiros passos, onde sempre ficas a aguardar o nosso retorno sempre bem-vindo.Este versinho eu encontrei entre os papéis velhos do meu pai, teu companheiro de uma vida: “Mãe, o teu nome sublime/Que não tem rima no verso/É a síntese que exprime/ A grandeza do Universo” e com ele eu homenageio às mães de todo mundo: às mães que nunca são lembradas porque seus filhos estão limpando os pára-brisas de carros nos semáforos; às mães da “Praça Camacan”, mundo afora; as mães que choram saudades eternas dos filhos que se foram nessas guerras idiotas; com esse versinho, mãe, eu te rendo a minha homenagem e peço a Deus por ti numa prece acanhada de quem reza pouco.Eu...eu te adoro, mãe!
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é mestre e doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(USP). Jornalista profissional desde 1980, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Atualmente, é repórter correspondente e professor universitário.
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
10/05/2012
Os ídolos e a imprensa
Por Paulo Caminha
Jornalista
Quando Pelé dedicou seu milésimo gol às crianças abandonadas, a imprensa o massacrou: piegas, demagogo.Mas ninguém fez nada pelas crianças, que continuam abandonadas até hoje.Quando o mesmo Pelé afirmou que o povo não sabia votar, foi mais massacrado ainda:facista, alienado.Mas, anos depois, quando o povo elegeu Dilma Rousseff, a mesma imprensa não se conformou: povo de terceiro mundo, como pode eleger uma candidata como essa? Quando Roberto Carlos declarou que não falava de política, veio o massacre:alienado, brega.Mas, hoje, quando Neymar diz que não quer saber de política, pois está no auge de sua profissão e isso atrapalharia a sua carreira, ninguém se importa.Porém, basta ele se recusar e dar uma entrevista para ser massacrado: estrela, mascarado.É, o tempo passa, os valores mudam, mas parte da imprensa continua igual.Exatamente igual.
Nota do Blog: “A cada boa impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre”.
Jornalista
Quando Pelé dedicou seu milésimo gol às crianças abandonadas, a imprensa o massacrou: piegas, demagogo.Mas ninguém fez nada pelas crianças, que continuam abandonadas até hoje.Quando o mesmo Pelé afirmou que o povo não sabia votar, foi mais massacrado ainda:facista, alienado.Mas, anos depois, quando o povo elegeu Dilma Rousseff, a mesma imprensa não se conformou: povo de terceiro mundo, como pode eleger uma candidata como essa? Quando Roberto Carlos declarou que não falava de política, veio o massacre:alienado, brega.Mas, hoje, quando Neymar diz que não quer saber de política, pois está no auge de sua profissão e isso atrapalharia a sua carreira, ninguém se importa.Porém, basta ele se recusar e dar uma entrevista para ser massacrado: estrela, mascarado.É, o tempo passa, os valores mudam, mas parte da imprensa continua igual.Exatamente igual.
Nota do Blog: “A cada boa impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre”.
25/03/2012
Viver é participar
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista e Escritor
Jornalista e Escritor
Transporte coletivo, ensino, lazer, segurança, abastecimento, salário, emprego, ecologia, tarifas de serviços públicos, assistência médica.Mais um ano termina e novamente os velhos costumes permanecem ilesos e inalterados.Será que ainda há salvação para o brasileiro, enquanto consumidor e usuário de serviços públicos e privados?
A resposta tem de ser positiva. Mas, não porque haja perspectivas avanço sensível em termos de qualidade de vida para o nosso povo em nosso País. Ao contrário: sem querer ser pessimista, tudo indica que o ano que começa será ainda mais difícil do que o ano de 2011.Só não vê quem não quer. O Brasil terá, em 2012, um ano muito provavelmente dramático. Somente com muita luta conseguiremos suportar e, quem sabe, superar as dificuldades que nos esperam.
Mas, a melhoria de nossas condições de vida depende, fundamentalmente, de nós mesmos. Se nos acomodarmos, corremos o risco de regredir, em vez de avançar.É preciso que nos mobilizemos cada vez mais em defesa dos nossos interesses.Todos os recursos devem ser utilizados.
Cochicho, queixa, lamúria, não levam a nada.A pressão popular já forçou a criação de organismos oficiais mais diretamente destinados a defesa do consumidor e usuário, como o Procon e Juizado de Pequenas Causas.Mas, eles funcionarão eficientemente se prestigiados, isto é, se procurados, acionados e cobrados.Além deles, existem outros canais por onde se pode conduzir a força da vontade popular.As associações são um desses canais.Mas, há também, as cooperativas, as sociedades, os clubes de serviços, os sindicatos, os partidos políticos.Aquele usuário de serviços públicos ou privados, aquele consumidor, aquele cidadão brasileiro, enfim, que pretenda ver seus direitos respeitados, deve se filiar a um desses canais, pelo menos, ou a todos, se possível.
Principalmente ao último deles, o partido político.Sim. É preciso acabar com esse negócio de só achar que política é uma “coisa suja”. Vamos dar nossa contribuição para “limpá-la”. Ficar de fora, “metendo o pau” em quem está dentro, sabe lá às vezes com que sacrifício, não adianta nada.Vamos também oferecer, em vez de só exigir.Vamos dar a nossa contribuição efetiva para que as coisas melhorem.Por isso, assim que puder, filie-se a um partido, a um sindicato, a um clube de serviço, a uma sociedade, a uma cooperativa.
Filie-se e não limite sua contribuição apenas isso. Milite, efetivamente, oferecendo sugestões e críticas.Lute por seus direitos e pelos diretos dos outros.Viver é lutar.
E o que é lutar, em termos de se buscar uma melhoria dos nossos padrões de vida? É participar cada vez mais da defesa dos interesses da população. Só assim atingiremos o objetivo de tornar nossa sociedade mais humana e fraterna.
Precisamos nos conscientizar de que somos todos responsáveis por isso.Não podemos acreditar que nossos problemas, nossas dificuldades serão resolvidas, por nossos governantes, sejam eles de que partidos forem.
Leis, nós já temos até demais.O que precisamos é de quem as faça cumprir, fazendo valer,assim, nossos direitos por elas garantidos.Mas, que melhor fiscal de nossos direitos, do que nós mesmos?
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos um transporte coletivo pontual, confortável e seguro.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos um ensino gratuito, mas atraente e eficaz.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos mais e melhores opções de lazer.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos a segurança que não temos, de quem é pago por nós para proporcioná-la e não para nos amedrontar e violentar.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos um sistema de abastecimento sem especulação onde os produtos tenham qualidade garantida.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos salários compatíveis com nossa capacidade de produção e que nos proporcionem um padrão de vida à altura dessa capacidade.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos evitar o fantasma do desemprego, inadmissível presença numa cidade onde ainda há tanto por fazer.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos preservar a natureza, da qual somos parte integrante e de cujo equilíbrio precisamos para nossa sobrevivência saudável.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos impedir altas abusivas das tarifas de serviços públicos, que, nem por serem públicos, precisam necessariamente, dar prejuízo, mas devem sim, ter o objetivo maior interesse da população e não do lucro.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos ter uma assistência média que não veja, no doente, apenas uma fonte de lucro fácil, mas, principalmente, o ser humano necessitado de cura.
Finalmente, só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos fazer, da sociedade itabunense, uma sociedade digna do significado real desta palavra, porque responsável, solidária e, assim alegre.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos a segurança que não temos, de quem é pago por nós para proporcioná-la e não para nos amedrontar e violentar.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos um sistema de abastecimento sem especulação onde os produtos tenham qualidade garantida.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos salários compatíveis com nossa capacidade de produção e que nos proporcionem um padrão de vida à altura dessa capacidade.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos evitar o fantasma do desemprego, inadmissível presença numa cidade onde ainda há tanto por fazer.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos preservar a natureza, da qual somos parte integrante e de cujo equilíbrio precisamos para nossa sobrevivência saudável.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos impedir altas abusivas das tarifas de serviços públicos, que, nem por serem públicos, precisam necessariamente, dar prejuízo, mas devem sim, ter o objetivo maior interesse da população e não do lucro.
Só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos ter uma assistência média que não veja, no doente, apenas uma fonte de lucro fácil, mas, principalmente, o ser humano necessitado de cura.
Finalmente, só assim, vigilantes e atuantes, conseguiremos fazer, da sociedade itabunense, uma sociedade digna do significado real desta palavra, porque responsável, solidária e, assim alegre.
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é jornalista e Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Atualmente, é jornalista correspondente e professor de Língua Estrangeira.
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
O que é a felicidade?
MILTON HÊNIO (*)
Médico e Escritor
Médico e Escritor
Na estrada da vida não há paradas. Ou você caminha para a frente, isto é, progride, ou caminha para trás, regride. Se você para, a vida continua e deixa-o à margem. Todas as pessoas têm, como objetivo supremo, a conquista da felicidade. O que seja essa felicidade em termos objetivos, como consegui-la, varia de pessoa para pessoa. “O homem – escreveu Marden – foi criado para ser feliz”. Como se explica, pois, que tanta gente viva infeliz? É que na caminhada da vida saíram dos seus limites. Por vários motivos. Santo Agostinho já lembrava em seus sábios ensinamentos que todas as vezes que você sai dos seus limites sua vida se transforma num inferno. No mundo moderno muitas pessoas querem ter o prazer a qualquer custo em todas as áreas, e então se perdem no caminho, tornando-se infelizes. Vejam alguns dados de 2011: o brasileiro consumiu 13 bilhões de litros de cerveja naquele ano; 44 mil adolescentes morreram em acidentes de moto, carros, ônibus, assassinatos e outras causas antinaturais. Cinco milhões de crianças nasceram filhos do “fiquei” e do “ficou”, a maioria de mães adolescentes na faixa dos 13 aos 19 anos. Como serão essas crianças no futuro sem o amor do pai e o aconchego de um lar? Não conviverão com facilidade, com a felicidade. A felicidade é um estado de espírito, um estado da mente. Devemos buscá-la dentro de nós e não fora. Depende do que “somos” e não do que “temos”. A felicidade depende da busca em atingir objetivos, de um sentido de vida. Temos hoje, no Brasil, 30 milhões de depressivos, que por situações adversas perderam o rumo da estrada, mas que lutam com ansiedade para vencer os obstáculos e voltar a ser felizes. E conseguirão, tenho certeza.
Dizem os psicólogos que a felicidade é o momento presente. Pois bem, eu vivi momentos de intensa felicidade no último dia 19, quando, na sala de parto, recebi em meus braços a minha linda netinha Heloisa (homenagem à bisavó). Os outros avós, minha esposa Myrza, Vaninha e Ronaldo, junto aos pais Cacá e Pollyana, choraram de emoção. Felicidade inaudita. Que a minha querida Heloisa, seja como sua bisavó, uma verdadeira mensageira da paz e do amor. E será, com as benção de Deus. E a vida continua. E cada dia é menos um dia em nossa caminhada terrena. Vamos caminhar e cheios de esperança, sempre que o amor envolva nossos sonhos e realidades. Os sonhos às vezes desfolham-se como o vento, mas a esperança fica esperando ter como companhia a felicidade.
Dizem os psicólogos que a felicidade é o momento presente. Pois bem, eu vivi momentos de intensa felicidade no último dia 19, quando, na sala de parto, recebi em meus braços a minha linda netinha Heloisa (homenagem à bisavó). Os outros avós, minha esposa Myrza, Vaninha e Ronaldo, junto aos pais Cacá e Pollyana, choraram de emoção. Felicidade inaudita. Que a minha querida Heloisa, seja como sua bisavó, uma verdadeira mensageira da paz e do amor. E será, com as benção de Deus. E a vida continua. E cada dia é menos um dia em nossa caminhada terrena. Vamos caminhar e cheios de esperança, sempre que o amor envolva nossos sonhos e realidades. Os sonhos às vezes desfolham-se como o vento, mas a esperança fica esperando ter como companhia a felicidade.
22/03/2012
O importante é agora
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista e Escritor
O que impacienta mais é a espera. Os segundos são maçantes. Os minutos lerdos e as horas, nem pensar.Não têm pressa, parecem séculos.Às vezes flagro-me a ruminar esse tempo sem fim, aguardando o momento sagrado de tornar a vê-la.De correr para os braços dela e afogar-me, saciar-me, beber toda a minha sede, matar toda a minha fome.Se existiu um ontem qualquer, por mais importante que tenha sido, por mais importante que tenha se transformado, minha saudade ainda é voraz, grita pela presença dela e não se sossega enquanto seu rosto não vem para a moldura das minhas mãos que, em concha, seguro para beber-lhe em beijos e, de pertinho, fazer-lhe renovadas confissões de amor, que teima em não morrer, em não sucumbir às cobranças da sociedade mentirosa, fingida, superficial e indiferente.Se temos um pranto inteiro para chorar ou desabafos para gritar em confissões que precisam de amizade, que precisam de um ombro companheiro que não cobre nada, que se fique ali, simplesmente amigo, para escutar o que temos a dizer ou para entender o nosso silêncio, a nossa lágrima, nosso grito, essa sociedade inexiste. Faz-se ausente.
Pois bem.A espera me consola.Ligo o gravador e as músicas parecem lentas, tornando mais morosos os minutos do tempo que me separa da chegada dela.E não importa a hora que chegue mas, quando vem, é sempre alvorada.Às vezes já é noite, mas é exatamente aí que começa o meu dia e o meu sol principia a brilhar, enchendo tudo de cores fantásticas, como a primeira manhã de verão.Aí, sim, o tempo tem fome.Passa célere.Os segundos famintos logo se transformam, em minutos e as horas, (quando, existe tempo para horas?) logo se formam e, quando menos espero, já é hora de ir embora e começar outra espera, outra vez...E não me resta outra saída a não ser curtir essa sagrada angústia de aguardar para tê-la, outra vez, nos meus braços, para o aconchego do meu carinho, para a resposta dos meus desejos e o eco das mais solene confissões de homem apaixonado.Queria as flores do mundo, as mais belas, as mais perfumadas e, num buquê, oferta-lhe ou, humildemente, genuflexo aos seus pés, dizer-lhe do meu amor e fazer-lhe crer que não existe mais amor sobrando no mundo com que eu possa amar-lhe mais ainda.É exatamente ali o limite.É o quanto o homem pode amar a uma mulher, aquela com quem sonhou a vida inteira e, depois de tantas caminhadas errantes, de repente, encontrá-la e, sem ligar para os pés exangues, vencer distâncias sobre as areias em brasa do seu destino e atirar-se de corpo e alma, na miragem mais esperada da sua vida.
A espera pode me consumir, apertar meu peito, sufocar meu coração, mas mesmo que as perspectivas de outros amanhãs sejam bem poucas, eu me contento com o hoje, com o agora, com o daqui a pouco porque a vida é feita dia-a-dia, um depois do outro e, para quem já esperou tanto, o importante é agora...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
Jornalista e Escritor
O que impacienta mais é a espera. Os segundos são maçantes. Os minutos lerdos e as horas, nem pensar.Não têm pressa, parecem séculos.Às vezes flagro-me a ruminar esse tempo sem fim, aguardando o momento sagrado de tornar a vê-la.De correr para os braços dela e afogar-me, saciar-me, beber toda a minha sede, matar toda a minha fome.Se existiu um ontem qualquer, por mais importante que tenha sido, por mais importante que tenha se transformado, minha saudade ainda é voraz, grita pela presença dela e não se sossega enquanto seu rosto não vem para a moldura das minhas mãos que, em concha, seguro para beber-lhe em beijos e, de pertinho, fazer-lhe renovadas confissões de amor, que teima em não morrer, em não sucumbir às cobranças da sociedade mentirosa, fingida, superficial e indiferente.Se temos um pranto inteiro para chorar ou desabafos para gritar em confissões que precisam de amizade, que precisam de um ombro companheiro que não cobre nada, que se fique ali, simplesmente amigo, para escutar o que temos a dizer ou para entender o nosso silêncio, a nossa lágrima, nosso grito, essa sociedade inexiste. Faz-se ausente.
Pois bem.A espera me consola.Ligo o gravador e as músicas parecem lentas, tornando mais morosos os minutos do tempo que me separa da chegada dela.E não importa a hora que chegue mas, quando vem, é sempre alvorada.Às vezes já é noite, mas é exatamente aí que começa o meu dia e o meu sol principia a brilhar, enchendo tudo de cores fantásticas, como a primeira manhã de verão.Aí, sim, o tempo tem fome.Passa célere.Os segundos famintos logo se transformam, em minutos e as horas, (quando, existe tempo para horas?) logo se formam e, quando menos espero, já é hora de ir embora e começar outra espera, outra vez...E não me resta outra saída a não ser curtir essa sagrada angústia de aguardar para tê-la, outra vez, nos meus braços, para o aconchego do meu carinho, para a resposta dos meus desejos e o eco das mais solene confissões de homem apaixonado.Queria as flores do mundo, as mais belas, as mais perfumadas e, num buquê, oferta-lhe ou, humildemente, genuflexo aos seus pés, dizer-lhe do meu amor e fazer-lhe crer que não existe mais amor sobrando no mundo com que eu possa amar-lhe mais ainda.É exatamente ali o limite.É o quanto o homem pode amar a uma mulher, aquela com quem sonhou a vida inteira e, depois de tantas caminhadas errantes, de repente, encontrá-la e, sem ligar para os pés exangues, vencer distâncias sobre as areias em brasa do seu destino e atirar-se de corpo e alma, na miragem mais esperada da sua vida.
A espera pode me consumir, apertar meu peito, sufocar meu coração, mas mesmo que as perspectivas de outros amanhãs sejam bem poucas, eu me contento com o hoje, com o agora, com o daqui a pouco porque a vida é feita dia-a-dia, um depois do outro e, para quem já esperou tanto, o importante é agora...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
21/03/2012
Momentos de emoção
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista e Escritor
Definitivamente, sou um sentimental.E assim como eu, acredito que todos nós somos, na medida exata de nossas variadas emoções.E quando as emoções estão em jogo, mesmo que tenhamos muito o que dizer, compreensivelmente abandonamos a palavra e, aprisionando o gesto, libertamos as lágrimas para apenas ouvir o coração.
É claro que falar de emoção hoje em dia, longe do refúgio das escuras salas de cinema ou das telas estimulantes da televisão, pode soar estranhamente como simples delírio ou poesias.Mas é exatamente disso que eu gostaria de falar: da emoção que sentimos espontaneamente sem o estímulo meloso de filmes e novelas do dia-a-dia.De repente, percebo nosso condicionamento em nos emocionarmos pura e simplesmente com fatos, coisas e situações com os quais apenas nos identificamos artificialmente, sem qualquer tipo de envolvimento real.Falo de emoções simples, capazes de romper todas nossas máscaras e cascas sem deixar marcas de culpas, sentimento de fragilidade ou mesmo de abandono.Falo por exemplo da emoção de um encontro, de uma despedida, de uma simples descoberta ou mesmo de uma leve ousadia.Na verdade dificilmente conseguimos liberar nossos sentimentos, sejam de alegria, tristeza ou mesmo frustrações, sem a ação de uma sugestão coletiva.O medo de nos defrontarmos com nossos medos e fantasmas nos leva invariavelmente a reprimir nossas emoções, esvaziando gritos, risos, e até o próprio coração.
Sou efetivamente um sentimental e não temo em esconder o que sinto em relação às coisas, pessoas, fatos e principalmente em relação à poesia, das lembranças presentes, passadas e até daquelas por sonhar.Condeno o silêncio contemplativo e submisso diante da razão, quando o momento nos exige apenas a emoção. Mesmo porque, conter as palavras, gestos, lágrimas, risos, enfim, todo tipo de sentimento espontâneo implica num risco maior de calarmos definitivamente o coração já não pode mais falar, só nos resta simplesmente viver, sem a certeza de estarmos emocionalmente vivos.
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
20/03/2012
Amanhã será um novo dia...
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista e Escritor
É bom saber que você existe.Melhor ainda sentir a certeza do amor que nasceu entre nós.É bom saber que você pensa em mim, em silêncio e em silêncio eu me habituo à idéia de amar você.Já nem me importo com as lembranças que curti, sozinho, ruminando cada uma das solidões a que me entreguei quando fracassaram as tentativas e investidas que assumi em busca da ilusão, sim, mas é bom acreditar que ela pode estar ali, logo depois da curva, quando os trens que nos transportam nas fugas, apitam num lamento que cala fundo na alma, cheia de saudade...É bom saber que você existe, que está perto porque está e mais próxima ainda porque os encontros furtivos nos levam ao aconchego conivente das nossas entregas.
Pode ser que hoje não possamos gritar ao mundo a dimensão dos sentimentos que vimos brotar porque plantamos, cada um, na terra fértil da carência, da necessidade e de uma consciência feliz arquitetada pelo destino. Não houve premeditação no primeiro encontro, não houve trama no primeiro olhar nem armadilhas no primeiro abraço, disso temos a certeza.Aconteceu, pronto.Coisas de destino e que pertencem a um passado irreversível, impossível, portanto, de ser modificado.É bom saber que você existe...E se não podemos caminhar pelas madrugadas desses dias que temos medo de ver nascer; se não podemos curtir por inteiro a magia diferente de cada deitar do sol; se ainda não nos é permitido esquecer o tempo e contar estrelas de uma noite inteira, se nos vetam os alvarás hipócritas para que possamos caminhar em liberdade, bebendo cada beijo a que temos direito e unidos por cada abraço que acende nossos desejos comuns, resta-nos o consolo de que, inteligente, como diz a sabedoria...Resta-nos a cumplicidade das escapadas, quando podemos, então, nos apoderar do mundo e do universo, espaços únicos e capazes de comportar a grandeza dos sentimentos que se avolumam dentro de nós.É bom saber que você existe e que o sorriso com que sorria para mim é o verdadeiro, é o desabrochar da felicidade do espírito...Sim, eu te amo, muito... e não me importo com as vezes que já confessei esse sentimento, iludido comigo mesmo, com as minhas fantasias, com os meus sonhos.Só hoje vejo o quanto estive enganado, porque amar...amar, meu amor, deve ser isso que descobrir quando senti imensamente a tua falta, mesmo que o tempo passado tivesse sido apenas de um par de horas, desde o último encontro...É que houve espera, houve expectativa, o que serviu para me dar os parâmetros e imaginar todas as dimensões desse sentimento...Se não te posso mostrar ao mundo e para o mundo dizer que cheguei, finalmente, ao fim da minha busca e de todas as minhas procuras pelo lugar definitivo, posso, por enquanto, adormecer feliz com a certeza de que, ontem adormecestes nos meus braços e porque sei o quanto esperas, hoje, chegar à hora de nos vermos outra vez.Ontem, foi ontem.Hoje é agora e ninguém vai nos roubar esse tempo a que nos permitimos e amanhã...bem, amanhã meu amor, será um novo dia...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
Jornalista e Escritor
É bom saber que você existe.Melhor ainda sentir a certeza do amor que nasceu entre nós.É bom saber que você pensa em mim, em silêncio e em silêncio eu me habituo à idéia de amar você.Já nem me importo com as lembranças que curti, sozinho, ruminando cada uma das solidões a que me entreguei quando fracassaram as tentativas e investidas que assumi em busca da ilusão, sim, mas é bom acreditar que ela pode estar ali, logo depois da curva, quando os trens que nos transportam nas fugas, apitam num lamento que cala fundo na alma, cheia de saudade...É bom saber que você existe, que está perto porque está e mais próxima ainda porque os encontros furtivos nos levam ao aconchego conivente das nossas entregas.
Pode ser que hoje não possamos gritar ao mundo a dimensão dos sentimentos que vimos brotar porque plantamos, cada um, na terra fértil da carência, da necessidade e de uma consciência feliz arquitetada pelo destino. Não houve premeditação no primeiro encontro, não houve trama no primeiro olhar nem armadilhas no primeiro abraço, disso temos a certeza.Aconteceu, pronto.Coisas de destino e que pertencem a um passado irreversível, impossível, portanto, de ser modificado.É bom saber que você existe...E se não podemos caminhar pelas madrugadas desses dias que temos medo de ver nascer; se não podemos curtir por inteiro a magia diferente de cada deitar do sol; se ainda não nos é permitido esquecer o tempo e contar estrelas de uma noite inteira, se nos vetam os alvarás hipócritas para que possamos caminhar em liberdade, bebendo cada beijo a que temos direito e unidos por cada abraço que acende nossos desejos comuns, resta-nos o consolo de que, inteligente, como diz a sabedoria...Resta-nos a cumplicidade das escapadas, quando podemos, então, nos apoderar do mundo e do universo, espaços únicos e capazes de comportar a grandeza dos sentimentos que se avolumam dentro de nós.É bom saber que você existe e que o sorriso com que sorria para mim é o verdadeiro, é o desabrochar da felicidade do espírito...Sim, eu te amo, muito... e não me importo com as vezes que já confessei esse sentimento, iludido comigo mesmo, com as minhas fantasias, com os meus sonhos.Só hoje vejo o quanto estive enganado, porque amar...amar, meu amor, deve ser isso que descobrir quando senti imensamente a tua falta, mesmo que o tempo passado tivesse sido apenas de um par de horas, desde o último encontro...É que houve espera, houve expectativa, o que serviu para me dar os parâmetros e imaginar todas as dimensões desse sentimento...Se não te posso mostrar ao mundo e para o mundo dizer que cheguei, finalmente, ao fim da minha busca e de todas as minhas procuras pelo lugar definitivo, posso, por enquanto, adormecer feliz com a certeza de que, ontem adormecestes nos meus braços e porque sei o quanto esperas, hoje, chegar à hora de nos vermos outra vez.Ontem, foi ontem.Hoje é agora e ninguém vai nos roubar esse tempo a que nos permitimos e amanhã...bem, amanhã meu amor, será um novo dia...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV), nas funções de repórter. Paulo Caminha é também professor de Língua Estrangeira, estudou como bolsista da Fundação Rotária, do Rotary Club Internacional (EUA).
E-mail: paulo_caminha1@yahoo.com.br
18/03/2012
Coisas da Vida
PAULO CAMINHA (*)
Jornalista
De longe parece iguais.Vistas assim, sem profundidade, as estórias são comuns e as situações mergulham desajeitadas aos julgamentos precipitados dos que estão de fora, só curtindo as críticas. E, de longe parecem iguais e, se a gente fala de pessoas reais ou apela para licença a que se permitem os poetas, artistas, sonhadores, criando fantasias com os retalhos de verdade de muitas passagens, aí é que a semelhança se torna maior e alguns poucos se entendiam, misturando, sem autoridade, as pequenas diferenças, importantes para aquele que viveu ou pretendeu viver os momentos que descreveu, numa mesmice injusta.Amor é amor.Aqui, ali, mais além.E assim também é a paixão, o ódio, a violência.E comum e igual uma entrega honesta ou possuem a mesma palidez as aventuras vividas com o interesse.Seja ela qual for.Algumas coisas mudam, é verdade.Mudam em pequenos detalhes mas, na sua essência, são iguais, comuns.
Outro dia mesmo estive partilhando da felicidade de um amigo e, de uma certa forma, vibrava com o sorriso com que ele sorria para o tempo, colocando as mãos atrás da nuca, fitando um ponto imaginário qualquer, imaginando um futuro que ele vem perseguindo com paciência.De repente, seu rosto ilumina-se com a chama branda de uma paixão que está adquirindo a consistência de um amor curtido na espera.Nem mesmo as flores que ele usa para falar dos sentimentos que lhe fustigam o peito por dentro o tornam diferente daquele que só tem palavras.
Muitas vezes sento-me diante de uma folha de papel e vejo as teclas à minha frente.As letrinhas são as mesmas.Tenho consciência da responsabilidade de dar-lhes melhor sentido e aí, rebusco nas minhas fotografias os retalhos de um passado que me pertenceu.Um passado que, numa circunstância qualquer, vivi-o sozinho ou na companhia agradável de uma metade que me completou.Quando as fotografias não me dizem nada, fecho os olhos e apelo para as palavras amigas e doces que me contaram alguma coisa importante, sem me importar quando e faço delas o meu tema, sem a preocupação com a lógica de uma sequência metódica, técnica, catedrática.Valho-me, é verdade às vezes, da metáfora, uma forma acanhada de encompridar o caminho, de dizer acanhado aquilo que sinto.Mesmo aquelas que significaram bem pouco valeram a pena.Transformei-as em lições das quais não me permito a distração mais significante de esquecer.Outras, no entanto, faço questão de não esquecei e aí, apelo para cada um dos muitos momentos que nos foram comuns, marcados pela alegria do encontro que chegou depois da ânsia e da expectativa de uma espera. Não se pode inventar muito sobre o comum nem se pode confundir o comum com o banal ou vulgar, seria injusto.A mesma menina de tranças que tantas vezes esteve nas linhas, nas entrelinhas e até nas minhas páginas em branco, por exemplo, continua viva aqui dentro.Faço questão de não esquecer dela.Outro dia, no meio da semana, passei por ela e no sorriso com que me disse um “ôi” depois de tanta ausência, revivi uma vida inteira, um passado que, assim, sem mais nem menos, passou-me diante dos olhos.Isto é comum, é igual, é corriqueiro, mas não é banal nem vulgar e sobre as coisas pequeninas que faço grandes não posso inventar nem abastecer em demasia os limites e horizontes da fantasia, seja para aumentar o êxtase, seja para tomar mais sofisticada a coordenação das palavras que vou arrancando das teclas, sob pena de tornar-me enfadonho ou transformar a simplicidade de uma paixão, de um retalho de amor, de uma ira repentina ou de um perdão temporário ou eterno numa novela sem fim e sem nexo.
Qualquer dia desses, só para fugir à rotina eu chamo o homemzinho verde para levar-me pelo cosmos e voltar com estórias do universo ou então faço ouvidos de mercador e, sem me importar com o cansaço alheio, continuo a dedilhar meu terço, falando das coisas da vida...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é doutor em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV). No momento é editor deste Blog e jornalista correspondente.
Jornalista
De longe parece iguais.Vistas assim, sem profundidade, as estórias são comuns e as situações mergulham desajeitadas aos julgamentos precipitados dos que estão de fora, só curtindo as críticas. E, de longe parecem iguais e, se a gente fala de pessoas reais ou apela para licença a que se permitem os poetas, artistas, sonhadores, criando fantasias com os retalhos de verdade de muitas passagens, aí é que a semelhança se torna maior e alguns poucos se entendiam, misturando, sem autoridade, as pequenas diferenças, importantes para aquele que viveu ou pretendeu viver os momentos que descreveu, numa mesmice injusta.Amor é amor.Aqui, ali, mais além.E assim também é a paixão, o ódio, a violência.E comum e igual uma entrega honesta ou possuem a mesma palidez as aventuras vividas com o interesse.Seja ela qual for.Algumas coisas mudam, é verdade.Mudam em pequenos detalhes mas, na sua essência, são iguais, comuns.
Outro dia mesmo estive partilhando da felicidade de um amigo e, de uma certa forma, vibrava com o sorriso com que ele sorria para o tempo, colocando as mãos atrás da nuca, fitando um ponto imaginário qualquer, imaginando um futuro que ele vem perseguindo com paciência.De repente, seu rosto ilumina-se com a chama branda de uma paixão que está adquirindo a consistência de um amor curtido na espera.Nem mesmo as flores que ele usa para falar dos sentimentos que lhe fustigam o peito por dentro o tornam diferente daquele que só tem palavras.
Muitas vezes sento-me diante de uma folha de papel e vejo as teclas à minha frente.As letrinhas são as mesmas.Tenho consciência da responsabilidade de dar-lhes melhor sentido e aí, rebusco nas minhas fotografias os retalhos de um passado que me pertenceu.Um passado que, numa circunstância qualquer, vivi-o sozinho ou na companhia agradável de uma metade que me completou.Quando as fotografias não me dizem nada, fecho os olhos e apelo para as palavras amigas e doces que me contaram alguma coisa importante, sem me importar quando e faço delas o meu tema, sem a preocupação com a lógica de uma sequência metódica, técnica, catedrática.Valho-me, é verdade às vezes, da metáfora, uma forma acanhada de encompridar o caminho, de dizer acanhado aquilo que sinto.Mesmo aquelas que significaram bem pouco valeram a pena.Transformei-as em lições das quais não me permito a distração mais significante de esquecer.Outras, no entanto, faço questão de não esquecei e aí, apelo para cada um dos muitos momentos que nos foram comuns, marcados pela alegria do encontro que chegou depois da ânsia e da expectativa de uma espera. Não se pode inventar muito sobre o comum nem se pode confundir o comum com o banal ou vulgar, seria injusto.A mesma menina de tranças que tantas vezes esteve nas linhas, nas entrelinhas e até nas minhas páginas em branco, por exemplo, continua viva aqui dentro.Faço questão de não esquecer dela.Outro dia, no meio da semana, passei por ela e no sorriso com que me disse um “ôi” depois de tanta ausência, revivi uma vida inteira, um passado que, assim, sem mais nem menos, passou-me diante dos olhos.Isto é comum, é igual, é corriqueiro, mas não é banal nem vulgar e sobre as coisas pequeninas que faço grandes não posso inventar nem abastecer em demasia os limites e horizontes da fantasia, seja para aumentar o êxtase, seja para tomar mais sofisticada a coordenação das palavras que vou arrancando das teclas, sob pena de tornar-me enfadonho ou transformar a simplicidade de uma paixão, de um retalho de amor, de uma ira repentina ou de um perdão temporário ou eterno numa novela sem fim e sem nexo.
Qualquer dia desses, só para fugir à rotina eu chamo o homemzinho verde para levar-me pelo cosmos e voltar com estórias do universo ou então faço ouvidos de mercador e, sem me importar com o cansaço alheio, continuo a dedilhar meu terço, falando das coisas da vida...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é doutor em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV). No momento é editor deste Blog e jornalista correspondente.
Jornalista Paulo Caminha lança livro de crônicas em dezembro
CARLOS ACUIO (*)
Da Reportagem
O jornalista Paulo Caminha, editor deste Blog, lança em dezembro, em São Paulo, seu 2º livro. “Ah, se o tempo voltasse". “Não se pode inventar muito sobre o comum como banal ou vulgar, seria injusto”. Este trecho da Crônica Coisas da Vida, do jornalista Paulo Caminha, sintetiza bem a linha mestra do trabalho do autor: fotografar ações e situações cotidianas e transportá-las para um pequeno texto, de cinco ou seis parágrafos e linguagem simples e direta.A reunião desses ligeiros fotogramas do dia a dia está presente em “Ah, se o tempo voltasse...”, seu segundo livro. Algumas crônicas já foram publicadas em jornais e outras ainda permanecem inéditas.
Romântico assumido, Caminha não tem pudores em enveredar pelo lugar-comum e declarar teu amor às pessoas que o atraem.Procura revolver suas lembranças e sentimentos, bem como captar e recriar o trivial contemporâneo, sem a preocupação de construir imagens complexas ou tortuosas.É lógico que, como todo cronista e escritor, sempre adiciona algo de ficção e fantasia aos seus relatos e observações pessoais, pois excitar a sensibilidade, a paixão e a fraqueza supera qualquer preocupação em preservar a fidelidade dos fatos.
Encontros e reencontros, separações e despedidas, novos e antigos amores são temas que frequentemente permeiam a maioria dos textos. O autor, hoje com 58 anos, volta à sua juventude e relembra seus primeiros amores e namoradas, seus desejos e frustrações, e às vezes conta a estória de uma tentativa de retornar e reviver um velho amor, já não tão forte como no início da relação, rompida há 30 anos.Às vezes, prefere a perda da amada – o que atesta efemeridade dos amores – e se consolar com a visão das estrelas, já que essas seriam eternas e não ousaria abandoná-lo jamais.
O tempo é o melhor e o pior conselheiro de Caminha.Ora faz esquecer, ora faz lembrar.Pode tanto curar os corações enfermos, como agravar ainda mais o mal.O autor sabe disso, e procura explorar toda a condição que cerca a situação.No final de tudo, fica uma constatação, implacável, o tempo modifica as pessoas e os sentimentos.Nem sempre para melhor, nem sempre para pior.Mas modifica.
Também a exploração comercial e egoísta dos sentimentos, da afeição natural que existe entre os indivíduos, recebe o olhar crítico do escritor e cronista.Para ele, a maioria das emoções expressadas pelas pessoas ressente-se de naturalidade e espontaneidade.Não brota do fundo de suas almas.Quando isolados os indivíduos evitam se expor, demonstrar o que sentem.As emoções, afirma o autor, assumiriam mais o papel de respostas coletivas às inúmeras sugestões sentimentais que os meios de comunicação, à televisão, o cinema descarrega sobre os seres viventes nas sociedades contemporâneas de consumo industrial.
Da Reportagem
O jornalista Paulo Caminha, editor deste Blog, lança em dezembro, em São Paulo, seu 2º livro. “Ah, se o tempo voltasse". “Não se pode inventar muito sobre o comum como banal ou vulgar, seria injusto”. Este trecho da Crônica Coisas da Vida, do jornalista Paulo Caminha, sintetiza bem a linha mestra do trabalho do autor: fotografar ações e situações cotidianas e transportá-las para um pequeno texto, de cinco ou seis parágrafos e linguagem simples e direta.A reunião desses ligeiros fotogramas do dia a dia está presente em “Ah, se o tempo voltasse...”, seu segundo livro. Algumas crônicas já foram publicadas em jornais e outras ainda permanecem inéditas.
Romântico assumido, Caminha não tem pudores em enveredar pelo lugar-comum e declarar teu amor às pessoas que o atraem.Procura revolver suas lembranças e sentimentos, bem como captar e recriar o trivial contemporâneo, sem a preocupação de construir imagens complexas ou tortuosas.É lógico que, como todo cronista e escritor, sempre adiciona algo de ficção e fantasia aos seus relatos e observações pessoais, pois excitar a sensibilidade, a paixão e a fraqueza supera qualquer preocupação em preservar a fidelidade dos fatos.
Encontros e reencontros, separações e despedidas, novos e antigos amores são temas que frequentemente permeiam a maioria dos textos. O autor, hoje com 58 anos, volta à sua juventude e relembra seus primeiros amores e namoradas, seus desejos e frustrações, e às vezes conta a estória de uma tentativa de retornar e reviver um velho amor, já não tão forte como no início da relação, rompida há 30 anos.Às vezes, prefere a perda da amada – o que atesta efemeridade dos amores – e se consolar com a visão das estrelas, já que essas seriam eternas e não ousaria abandoná-lo jamais.
O tempo é o melhor e o pior conselheiro de Caminha.Ora faz esquecer, ora faz lembrar.Pode tanto curar os corações enfermos, como agravar ainda mais o mal.O autor sabe disso, e procura explorar toda a condição que cerca a situação.No final de tudo, fica uma constatação, implacável, o tempo modifica as pessoas e os sentimentos.Nem sempre para melhor, nem sempre para pior.Mas modifica.
Também a exploração comercial e egoísta dos sentimentos, da afeição natural que existe entre os indivíduos, recebe o olhar crítico do escritor e cronista.Para ele, a maioria das emoções expressadas pelas pessoas ressente-se de naturalidade e espontaneidade.Não brota do fundo de suas almas.Quando isolados os indivíduos evitam se expor, demonstrar o que sentem.As emoções, afirma o autor, assumiriam mais o papel de respostas coletivas às inúmeras sugestões sentimentais que os meios de comunicação, à televisão, o cinema descarrega sobre os seres viventes nas sociedades contemporâneas de consumo industrial.
11/03/2012
Amanhã será um novo dia
PAULO CAMINHA
Jornalista e Escritor
Jornalista e Escritor
Gosto de você, é definitivo. Não importa que a extensão dessa pretensão seja limitada pela imprevisibilidade das surpresas desagradáveis. Gosto de você, tenho esse direito e é essa a minha vontade, e se a reciprocidade corresponder às confissões que tenho ouvido em sussurros à meia-luz da nossa intimidade, exijo respeito em derredor.Somos humanos e a matéria que corre em nossas veias é igual àquela que alimenta as vidas comuns dos juízes ridículos que nos cobram comportamentos e vomitam o azedume de seus interesses mesquinhos contrariados.Enquanto o calor da tua companhia aquecer a alegria com que nos damos, e os encontros para os quais fugimos apenas com a ânsia de sermos felizes em paz existirem, sentir-me-ei muralha intransponível para a defesa necessária contra a covardia das invejas acres, das armadilhas traiçoeiras que armam os que se acreditam poderosos porque se julgam os donos da verdade e os imperadores das razões.Gosto de você, e isso me torna mais poeta e mais artista, e as minhas rimas não rimam com dúvidas e as imagens são fortes e de cores firmes.Agora sei que os autores de novelas não precisam de muita imaginação para escrever os dramas de suas estórias compridas, ilustrada de muita maldade, matreirice, interesse, falsidade e covardia.Esses dramas fazem parte do cotidiano.Essas estórias se repetem, só que os personagens que atuam não são famosos, não são públicos nem recebem salários polpudos.Atuam de graça, premeditadamente, como nas novelas e não obedecem a um roteiro dirigido mas, ao sabor da diversificação de suas criativas ruindades.Gosto de você e ninguém me impedirá de continuar sonhando, de continuar feliz, embora precise permanecer em vigília constante, sentinela atento contra os ataques das velhas raposas, das hienas e dos lobos que só são valentes na alcatéia.Meu exercício de defesa sou eu e as minhas armas são as razões coerentes dos meus objetivos e dos meus direitos, como ser humano, como gente, como pessoa.Sei ser manso como o cordeiro e seresteiro como os pardais.Sei cantar como a cigarra irresponsável e nunca trabalho menos que a formiga, com a persistência e dedicação de um joão-de-barro.Se ofendido nos meus brios, se usurpado nos meus direitos, se humilhado no meu orgulho, travisto-me de fera ferida e acuado, saberei atirar-me com precisão num bote mortal das serpentes e a minha voz ribombará rouca como o grito dos trovões pelas feridas que os raios e relâmpagos abrem no céu.E é como ser humano que me permito guardar os ódios maiores, alimentar os rancores e negar o meu perdão àqueles só me pediram porque não havia outro caminho, outra alternativa ou porque foram descobertos sem chance de tentar um esconderijo onde ruminar seus fracasso.Sim, este é o meu grito de revolta e haverá de ser o meu brado de vitória.Não desistirei da minha luta porque ela também é a luta de muitos que não podem gritar, ou não sabem, ou não querem por conveniência ou medo.Não desistirei da minha luta contra essas normas comportamentais idiotas, contra esses preconceitos loucos, contra essas falsas razões.Deus é único, tenha lá a forma que tiver o nome que tenha.Se existir, mesmo, é superior e não restringe, não delimita, não coloca obstáculos, prega a paz e o amor, a união entre as criaturas e a fraternidade entre os que criou à sua imagem e semelhança.Grito hoje e agora porque ainda tenho força nos braços e enxergo longe.Continuarei lutando enquanto houver uma razão porque a minha certeza é hoje, agora pois amanhã...bem, amanhã será um novo dia...
Nota do Autor: Dedico essa crônica aos que, alheios à sua vontade, são a parte mais fraca dessas novelas diárias no drama interminável da vida que continua...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV).
Nota do Autor: Dedico essa crônica aos que, alheios à sua vontade, são a parte mais fraca dessas novelas diárias no drama interminável da vida que continua...
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo-(ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira (jornais, revistas e redes de TV).
25/01/2012
A cidade de São Paulo completa hoje 458 anos de fundação
Por PAULO CAMINHA, de São Paulo (*)
Um ritmo alucinante, um corre-corre diário, uma enorme colméia onde 24 horas por dia todos se agitam nervosamente. Um grande centro cultural, industrial, universitário que mesmo assim não consegue suprir as necessidades gerais.Assim pode ser definida a cidade de São Paulo.Nela tudo é movimento incessante, ela não para nunca, nas ruas lotadas, as pessoas se agitam nervosamente com muita pressa, numa procura constante de não sei o que.Por mais que se faça está sempre faltando muita coisa, apenas uma minoria é privilegiada, e grande maioria é esmagadoramente oprimida por falta de recursos, alimentação, enfim tudo.
SÃO PAULO, terra da poluição, do tempo inconstante, da garoa fininha que cai e penetra nos corações das pessoas, tornando-as cada vez mais frias. São Paulo um lugar que já foi calmo, sossegado, sem grande barulho, e que os imigrantes e migrantes foram descobrindo e povoando através dos tempos.Com esperanças de trabalho e de subir na vida, migram principalmente do norte e nordeste.E foi com esse pessoal que cada dia chegava mais e mais, que São Paulo foi crescendo e chegou ao ponto em que está, saturada, as firmas não comportam mais tantos trabalhadores e esses mesmos migrantes hoje lutam por um lugar ao sol, um lugar onde trabalhar.
SÃO PAULO, lugar de bons hospitais como o das Clínicas, Santa Casa, Beneficiência Portuguesa, que são os responsáveis pela vinda diária de muitas pessoas, que aqui vem procurando a cura para seus males.
SÃO PAULO, da poluição que nos dias de intensa atividade das indústrias consegue sufocar as pessoas chegando até mesmo a levá-las para o hospital.São Paulo, da correria, da agitação, do trânsito louco, que mata e agride.A agitação altera a cabeça das pessoas e muitas vezes o volante serve como válvula de escape, produzindo efeitos negativos, que podem mesmo chegar a tirar vidas humanas.
SÃO PAULO, que por BNHs, loteamentos populares ou coisas do tipo, ainda deixa muitos de seus filhos ao relento, dormindo embaixo de viadutos, praças, ou se alojando em favelas, invadindo terreno alheios, a procura de aconchegos e proteção.
SÃO PAULO, que por mais firmas, indústrias que apresente, deixa seus filhos de mão estendida pedindo um pedaço de pão, um dinheirinho para o leite das crianças.
SÃO PAULO, terra onde o paulistano trabalha muito e tem pouca opção de lazer, já que uma grande maioria mora em lugares periféricos, que pouco oferece. Paulistano trabalha semana inteira e no sábado ou domingo, aquele que não sobrou nenhum para a diversão é obrigado a ficar em casa vendo o programa do Faustão.
SÃO PAULO, terra em que aquele que conseguiu guardar uma graninha para o lazer vai pegar uma fila enorme nos cinemas, teatros e barzinhos da vida, onde a moçada entre um chopinho e um bom papo tenta esquecer os problemas.
SÃO PAULO, dos parques do Carmos, do Piqueri, Ibirapuera, onde as pessoas vão a procura do verde, da paz, do sossego, longe da agitação diária.Paz que mesmo nesses lugares está difícil de se encontrar, devido ao grande número de pessoas que lá comparecem nos feriados, domingos, e que soma-se aos muitos pipoqueiros, sorveteiros, atletas, crianças, bolas, animais de estimação, sem falar é claro os tradicionais radinhos de pilha.
SÃO PAULO, terra do Circuito Cultural, onde a prefeitura do município oferece aos paulistanos uma opção a mais de lazer, dando condução grátis, todos os domingos, para uma programação, que proporciona um contato maior com as edificações que marcaram períodos da história de São Paulo, como por exemplo, a Casa do Bandeirante, uma construção rural do século XVIII, com o também o antigo Mercado de Santo Amaro, do século passado, a casa das Retortas que representa o início da industrialização em São Paulo e o Pátio do Colégio.
SÃO PAULO, dos museus, do Ipiranga, de arte, arte brasileira, arte contemporânea, moderna, sacra, do telefone, etc.
SÃO PAULO, dos fanáticos torcedores do Corinthians, São Paulo, Palmeiras, e outros que lotam os estádios em dias de jogos, e que na euforia se deixam levar por impulsos animalescos, agredindo-se uns aos outros, destruindo estádios, e machucando torcedores e até mesmo jogadores, que muitas vezes pensam estar disputando uma luta de boxe e não uma partida de futebol.
SÃO PAULO, que por tudo isso deixa seus filhos frios, quase que sem consciência, fazendo com que a fama do paulistano seja a de insensível, de desumano.
SÃO PAULO, Dia 25 de janeiro: essa é uma boa data para nós e principalmente para os dirigentes dessa cidade, pararmos um pouco para refletir, até que ponto estamos contribuindo para esse afastamento para a desumanidade e a falta de amor, que essa data seja marcada pela reflexão dos seres humanos, para que eles não se tornem assim como os grandes prédios de concreto que tomaram conta desta cidade.
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é jornalista e Doutor em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou nos principais órgãos de imprensa do País: Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo-IMESP, Jornal do Brasil, O Dia, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, A Tarde, Jornal da Manhã, O Globo e outras publicações (revistas, e redes de TV), nas funções de repórter. Atualmente o professor-doutor Paulo Caminha é jornalista correspondente e professor universitário.
Contato Blog: paulo_caminha1@yahoo.com.br
Um ritmo alucinante, um corre-corre diário, uma enorme colméia onde 24 horas por dia todos se agitam nervosamente. Um grande centro cultural, industrial, universitário que mesmo assim não consegue suprir as necessidades gerais.Assim pode ser definida a cidade de São Paulo.Nela tudo é movimento incessante, ela não para nunca, nas ruas lotadas, as pessoas se agitam nervosamente com muita pressa, numa procura constante de não sei o que.Por mais que se faça está sempre faltando muita coisa, apenas uma minoria é privilegiada, e grande maioria é esmagadoramente oprimida por falta de recursos, alimentação, enfim tudo.
SÃO PAULO, terra da poluição, do tempo inconstante, da garoa fininha que cai e penetra nos corações das pessoas, tornando-as cada vez mais frias. São Paulo um lugar que já foi calmo, sossegado, sem grande barulho, e que os imigrantes e migrantes foram descobrindo e povoando através dos tempos.Com esperanças de trabalho e de subir na vida, migram principalmente do norte e nordeste.E foi com esse pessoal que cada dia chegava mais e mais, que São Paulo foi crescendo e chegou ao ponto em que está, saturada, as firmas não comportam mais tantos trabalhadores e esses mesmos migrantes hoje lutam por um lugar ao sol, um lugar onde trabalhar.
SÃO PAULO, lugar de bons hospitais como o das Clínicas, Santa Casa, Beneficiência Portuguesa, que são os responsáveis pela vinda diária de muitas pessoas, que aqui vem procurando a cura para seus males.
SÃO PAULO, da poluição que nos dias de intensa atividade das indústrias consegue sufocar as pessoas chegando até mesmo a levá-las para o hospital.São Paulo, da correria, da agitação, do trânsito louco, que mata e agride.A agitação altera a cabeça das pessoas e muitas vezes o volante serve como válvula de escape, produzindo efeitos negativos, que podem mesmo chegar a tirar vidas humanas.
SÃO PAULO, que por BNHs, loteamentos populares ou coisas do tipo, ainda deixa muitos de seus filhos ao relento, dormindo embaixo de viadutos, praças, ou se alojando em favelas, invadindo terreno alheios, a procura de aconchegos e proteção.
SÃO PAULO, que por mais firmas, indústrias que apresente, deixa seus filhos de mão estendida pedindo um pedaço de pão, um dinheirinho para o leite das crianças.
SÃO PAULO, terra onde o paulistano trabalha muito e tem pouca opção de lazer, já que uma grande maioria mora em lugares periféricos, que pouco oferece. Paulistano trabalha semana inteira e no sábado ou domingo, aquele que não sobrou nenhum para a diversão é obrigado a ficar em casa vendo o programa do Faustão.
SÃO PAULO, terra em que aquele que conseguiu guardar uma graninha para o lazer vai pegar uma fila enorme nos cinemas, teatros e barzinhos da vida, onde a moçada entre um chopinho e um bom papo tenta esquecer os problemas.
SÃO PAULO, dos parques do Carmos, do Piqueri, Ibirapuera, onde as pessoas vão a procura do verde, da paz, do sossego, longe da agitação diária.Paz que mesmo nesses lugares está difícil de se encontrar, devido ao grande número de pessoas que lá comparecem nos feriados, domingos, e que soma-se aos muitos pipoqueiros, sorveteiros, atletas, crianças, bolas, animais de estimação, sem falar é claro os tradicionais radinhos de pilha.
SÃO PAULO, terra do Circuito Cultural, onde a prefeitura do município oferece aos paulistanos uma opção a mais de lazer, dando condução grátis, todos os domingos, para uma programação, que proporciona um contato maior com as edificações que marcaram períodos da história de São Paulo, como por exemplo, a Casa do Bandeirante, uma construção rural do século XVIII, com o também o antigo Mercado de Santo Amaro, do século passado, a casa das Retortas que representa o início da industrialização em São Paulo e o Pátio do Colégio.
SÃO PAULO, dos museus, do Ipiranga, de arte, arte brasileira, arte contemporânea, moderna, sacra, do telefone, etc.
SÃO PAULO, dos fanáticos torcedores do Corinthians, São Paulo, Palmeiras, e outros que lotam os estádios em dias de jogos, e que na euforia se deixam levar por impulsos animalescos, agredindo-se uns aos outros, destruindo estádios, e machucando torcedores e até mesmo jogadores, que muitas vezes pensam estar disputando uma luta de boxe e não uma partida de futebol.
SÃO PAULO, que por tudo isso deixa seus filhos frios, quase que sem consciência, fazendo com que a fama do paulistano seja a de insensível, de desumano.
SÃO PAULO, Dia 25 de janeiro: essa é uma boa data para nós e principalmente para os dirigentes dessa cidade, pararmos um pouco para refletir, até que ponto estamos contribuindo para esse afastamento para a desumanidade e a falta de amor, que essa data seja marcada pela reflexão dos seres humanos, para que eles não se tornem assim como os grandes prédios de concreto que tomaram conta desta cidade.
(*) Sobre o Autor - Paulo Caminha é jornalista e Doutor em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA/USP). Jornalista profissional desde 1975, já trabalhou nos principais órgãos de imprensa do País: Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo-IMESP, Jornal do Brasil, O Dia, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, A Tarde, Jornal da Manhã, O Globo e outras publicações (revistas, e redes de TV), nas funções de repórter. Atualmente o professor-doutor Paulo Caminha é jornalista correspondente e professor universitário.
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